segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Do irmão e sua alma atormentada



Como os dedos de uma mão, somos cinco irmãos muito diferentes. Nada excepcional e que não se encontre em qualquer família.
Este irmão sempre teve um olhar atormentado por algo que chegou com ele de outra vida.
Sempre trouxe consigo esse estranhamento que fez dele um menino chorão e medroso, sempre preocupado, como que antecipando seu futuro tortuoso.
Hoje sinto que ele olha para trás e se arrepende dos passos que deu, mas ao mesmo tempo ele sabe e todos nós sabemos que ele não teria podido fazer diferente.
Esse jeito estranho um dia lhe levou a caminhar por mais de 800 km na Espanha, esperando encontrar as respostas no Caminho de Compostela.
Mas agora vendo que o caminho apenas lhe serve como uma lembrança de superação e que agora lutando com seus demônios ele sente que não consegue mais.
E nós? ... estamos todos a nos perguntar como ajudar, como poderemos alcançar sua alma sofrida e castigada  de tormentos ancestrais?
Não conseguimos... vezes porque cansamos ... vezes porque sentimos que ele cansou.
E o que fica é um medo de não termos feito o mínimo para segurar sua mão na tormenta, de não o termos abraçado o suficiente para que se sentisse acompanhado em sua luta.  

Quero dizer-lhe: levanta teu caminho não terminou, só precisas seguir mais um pouco.
 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Essa tal melancolia

É estranho como somos inconstantes.
Ando desanimada, cansada e sem motivação para nada. 
Cansada das noites sempre iguais e dias intermináveis e monótonos.
Meu desanimo não tem nada a ver com a Neta ou a Filha ou com a importância das pessoas na minha vida.
Tem a ver comigo e com uma espécie de falta de perspectiva.       
Acordo e penso no dia que tenho por viver e sei exatamente o que deve acontecer, e essa previsível mesmice me consome com uma fadiga antecipada.

Se é depressão ou apenas a minha velha melancolia eu não sei... o que sei é que passará...



Como já disse alguém: “melancolia é uma tristeza com um pouco de leveza