Como os dedos de uma mão, somos cinco
irmãos muito diferentes. Nada excepcional e que não se encontre em qualquer família.
Este irmão sempre teve um olhar
atormentado por algo que chegou com ele de outra vida.
Sempre trouxe consigo esse estranhamento
que fez dele um menino chorão e medroso, sempre preocupado, como que
antecipando seu futuro tortuoso.
Hoje sinto que ele olha para trás
e se arrepende dos passos que deu, mas ao mesmo tempo ele sabe e todos nós
sabemos que ele não teria podido fazer diferente.
Esse jeito estranho um dia lhe
levou a caminhar por mais de 800
km na Espanha, esperando encontrar as respostas no
Caminho de Compostela.
Mas agora vendo que o caminho
apenas lhe serve como uma lembrança de superação e que agora lutando com seus
demônios ele sente que não consegue mais.
E nós? ... estamos todos a nos
perguntar como ajudar, como poderemos alcançar sua alma sofrida e castigada de tormentos ancestrais?
Não conseguimos... vezes porque
cansamos ... vezes porque sentimos que ele cansou.
E o que fica é um medo de não
termos feito o mínimo para segurar sua mão na tormenta, de não o termos
abraçado o suficiente para que se sentisse acompanhado em sua luta.
Quero dizer-lhe: levanta teu caminho não
terminou, só precisas seguir mais um pouco.

