sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

recomeços

 Ando intentando de ser outra pessoa.  Ser um pouco menos ansiosa é um desafio. Tratar o passar dos dias como apenas datas no calendário é uma das estratégias.

Ando vivendo como quem não espera. Sei que é sensação transitória, pois ter esperança e fazer planos são inerentes aos meus propósitos de vida, ainda que inconstante vivo numa gangorra de sentimentos. Sinto-me numa encruzilhada novamente, e como já mencionei várias vezes nesses anos todos por aqui, é tempo de novo recomeço.

Recomeço exige preparo, requer vontade e fôlego. É ter nova perspectiva, novo olhar sobre os fatos. É preciso eliminar esse esgotamento da luta perdida, causada pela desilusão de começos que não se concretizaram.

Recomeço é bagagem, por vezes pesada. É mirar o futuro olhando pelo retrovisor do passado o caminho percorrido. É remendar e refazer. É ter coragem de admitir o fracasso dos antigos começos. É casa vazia após a mudança, ocupada por desalento e incerteza.

Recomeçar é preciso, para que novos começos sejam possíveis. Começo é roupa do corpo. É andar sem documentos por uma estrada nova, olhando com expectativa o futuro. É janela aberta para uma nova paisagem. É frio na barriga carregado de confiança. É em fim continuar fazendo a vida valer a pena.

Mario Quintana já disse: “ Nada jamais continua, tudo vai recomeçar”. Recomeço é o fim do que foi começo, mas também é início de tudo de novo.

E nesse tempo ainda pandêmico, sigo recomeçando, todos os dias, ainda que temporariamente, meio prostrada.