Muitas coisas me aconteceram. Muitos eventos me marcaram. Tive várias fases e tempos.
Tive tempo de infância cheia de
imaginação surreal.
Tive o tempo adolescente, de
utopias, poemas e músicas.
O tempo do amor e da maternidade,
esses foram os tempos de caminhar acompanhada e de criar memórias.
Tive o tempo só meu (lá se vão 10
anos). Tempo de lágrima, de cair e superar. Errar e aprender. De derramar
palavras e acalmar excessos. De dizer sentimentos e guardar segredos.
Mas durante os trajetos dos meus
tempos tive sempre um farol brilhando. Como um destino certo e marcado. Hora íntimo
conforto e hora desconhecido assustador.
Desde os 5 anos, quando ainda
menina lembro os fios colados no peito para fazer eletros e linhas, até o dia
de enfrentar a sala cibernética para estudo eletrofisiológico, a palavra marca-passo
ecoa assustadora.
Sei que quando instalado ditará o ritmo de meu musculo cardíaco, de meu coração esquisito. Dará o compasso
de um novo tempo.
Então amanhã 30/11/2023 finalmente chegarei ao farol “marca-passo”. A viagem foi o tempo certo de esperar a ciência evoluir, a vida seguir e amadurecer.
Tempo de viagem: 62 anos
Mas o que é certo é que tudo
seguirá amanhã como sempre.
“O homem é um ser que
cria valores, e a consciência da morte instaura o primeiro valor: a vida”. Viviane Mosé