Me fala essa letra do Legião Urbana:
“Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo”
O poeta brinca com o imponderável
sentido do tempo.
Letra feita por jovens e para
jovens que olham para o futuro como se ele fosse um eterno caminhar. A maturidade
e a vida me dizem que o tempo é finito e meu futuro é agora. O amargo que sinto
é que em não tendo o tempo que passou, também não tenho todo tempo do mundo. E aí
o sentimento de urgência me assola.
Nessa pressa por alcançar
algum futuro, me perco em melancólicos enganos. Enfileirados começos e recomeços,
inicios e finais. Sem saber o que procurar qualquer achado me ilusiona os
sentidos. São enredos tão iguais para a mesma protagonista, que vez ou outra penso
que os personagens são os mesmos nessa novela sem fim. Historias repetidas que
nada me oferecem, além do tempo perdido.
São curativos para feridas
emocionais e remédios placebos para falsas recuperações, mas de analgésicas
ilusões.
E assim sigo nesse tempo
estranho e ainda pandêmico.