quinta-feira, 8 de julho de 2021

Que eu me proteja de mim

 

E corre o tempo. 2021 escoa por entre os dias.

O inverno chegou mais rigoroso esse ano. Isso e a rotina de sobreviver aos dias pandêmicos me anestesia os sentidos.  Nem as desastradas aventuras românticas têm me inspirado para a escrita.

A folha em branco diante de mim é como um poço seco, sedimentado em eterno silêncio. Desenvolvi a fobia de mergulhar nos meus mistérios. Sigo navegando rasa no mar de sentimentos imprecisos.

Por vezes, intento iniciar um diálogo comigo mesma, acordar o que está adormecido. Teço conversas internas superficiais e faço afagos no ego, banhados a vinho tinto e músicas dançantes.

Ando escondida de mim. E em mim uma música fala:

“Caminho se conhece andando
Então vez em quando é bom se perder
Perdido fica perguntando
Vai só procurando
E acha sem saber

CHICO CESAR / DOMINGUINHOS