quinta-feira, 27 de junho de 2019

O quente inverno


Hoje o frio chegou ao inverno deste ano. Não sei se para ficar ou apenas para lembrar qual é a estação do calendário.
Tem sido um tempo estranho, de estações misturadas, contrariando os padrões da natureza.
Ainda que eu sinta falta da geada branqueando a grama ao amanhecer. Do aconchego que vem com o sol do meio dia, nos enlaçando como um abraço e do cair da tarde nos chamando para um chimarrão partilhado no encontro com os amigos, estou preferindo esta estação sem nome.
Este inverno sem excesso e contido de agora me traz coisa nova e uma leveza para a alma, um estar alegre sem razão aparente.
Talvez eu esteja como as flores, florescendo fora do tempo, enganada pelo quente inverno de 19.

Ou então, estou a “reflorescer” no tempo exato... o meu tempo...

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Das dores da vida


Abala-me por demais a lágrima no rosto da Filha. Ainda que eu entenda que chorar faz parte da vida. Que todos têm momentos de lavar a alma e transbordar angustias.
Mas nesse olhar, que amo tanto, não posso encontrar tristeza.
Aciona em mim um sinal de alerta, quero proteger. Sou tomada pela culpa e por todos os meios quero sanar seu coração.
Quero dar-lhe colo, contar minhas estratégias para lhe resolver os dissabores.
Quero falar-lhe que a vida é luta comezinha e interminável. É feita de dias de calmarias e dias de tempestades. Contar que é uma permanente dicotomia.
Mas agora que é adulta, apenas sento ao lado, aperto-lhe a mão e... espero.
Não me contará seus segredos de mulher enfrentando o cotidiano massacrante de quem quer ser mãe, esposa e profissional nesses tempos caóticos de agora.
Apenas chora e eu choro também por seu choro.

A vida é isso, incessantemente sofrer pelas dores dos filhos ... esquecendo as próprias dores.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Dançando


Reconstruir-se leva tempo.
Refazer-se é feito de muitos inícios. São muitas paradas, e alguns retornos.  Não é linear nem constante. Aceitar isso é o melhor que pode ocorrer.
Assim aprendi a me perdoar por não ser forte o tempo todo. Por dar passos para trás depois de ter vencido obstáculos e avançado léguas. Deu alívio às minhas cobranças. Me fez parar com comparações.
Muitos se recobram rápido e retomam suas vidas de maneira aparentemente fácil. Eu ficava me martirizando e dizendo a mim mesma: olha... aprende... deixa de tolices.
Mas não posso alterar minha alma intensa, foi preciso ter vivido todos estes momentos e fases.
Diante disso, dançar tem me feito dar passos adiante. Por tempos custei a me deixar levar pela melodia e me mover naturalmente ao som da musica.
Foi estranho, perdi minha naturalidade de dançar. Estou me forçando a retomar isto dentro de mim. Nunca fui exima bailarina, mas dançar sentindo o toque de outra pessoa sempre me foi muito agradável.
Dançamos para esquecer as dores, para nos distrair da vida e aliviar o espírito.

Li, não sei onde, que não dançamos para esquecer a vida, mas para lembrarmo-nos dela. 
Quero isso de volta