Ando intentando de ser forte. Por
mim... pela filha ... pela neta
O cardiologista com a frieza de
um robô ratificou a sentença que trago desde o berço.
Um coração que insiste em
trabalhar em descompasso e que me desafia o viver.
Já foi metade de coração, já foi
coração parado, já foi coração partido...
Na infância, quando a grande
maioria das crianças se quer sabem da existência de tal órgão, fui apresentada ao
seu bater desconexo.
Lembro o Pai a falar que desde
meu nascimento escutava a falha na marcação do compasso. Quase ele via o coração
parando.
São tantas as histórias sobre os tratamentos.
Lembranças borradas de hospitais de corredores escuros.
Idas à clinica misteriosa,
de tratamento nada convencional, marcado pela lembrança do cabelo branco do médico,
que eu as vezes alinhava com um pequeno pente, que ele tirava do bolso.
E mesmo com tantas restrições que
eu não seguia e tirando as duas paradas em decorrência de um trabalho de parto
extenuante, eu sobrevivi.
Mas hoje depois da consulta, percebo
que se aproxima o tempo de enfrentar este descompassado coração, talvez seja esta a luta que me espera.
Então hoje é só mais um dia ruim...