quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Dos descompassos do coração


Ando intentando de ser forte. Por mim...  pela filha ... pela neta
O cardiologista com a frieza de um robô ratificou a sentença que trago desde o berço.
Um coração que insiste em trabalhar em descompasso e que me desafia o viver.
Já foi metade de coração, já foi coração parado, já foi coração partido...
Na infância, quando a grande maioria das crianças se quer sabem da existência de tal órgão, fui apresentada ao seu bater desconexo.
Lembro o Pai a falar que desde meu nascimento escutava a falha na marcação do compasso. Quase ele via o coração parando.
São tantas as histórias sobre os tratamentos. 
Lembranças borradas de hospitais de corredores escuros.
Idas à clinica misteriosa, de tratamento nada convencional, marcado pela lembrança do cabelo branco do médico, que eu as vezes alinhava com um pequeno pente, que ele tirava do bolso.
E mesmo com tantas restrições que eu não seguia e tirando as duas paradas em decorrência de um trabalho de parto extenuante, eu sobrevivi.
Mas hoje depois da consulta, percebo que se aproxima o tempo de enfrentar este descompassado coração, talvez seja esta a luta que me espera.

Então hoje é só mais um dia ruim...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

A estratégia


Ao saber de alguém com depressão me coloco imediatamente no lugar... sou tomada de tamanha empatia que chego a ter taquicardia.
Lembro imediatamente de minhas dores, algumas passadas outras apenas escondidas. Lembro da luta que travei e travo para manter os pensamentos negativos longe de mim.
Lembro da estratégia de sempre ter um plano de viagem em curso, para não me deixar tomar pela melancolia de um cotidiano que me esmaga.
Tenho ganas de falar ao deprimido que esta estratégia me salvou.
Planejo viagens... melhor que ter planos de possuir coisas, de ter pessoas ao meu lado e de planejar um futuro incerto.
Ano passado Montevidéu... este ano Buenos Aires, ano que vem... Porto? Lisboa?
Não sei ainda, mais o plano é manter a estratégia sempre em curso...

Dessa forma como um Bonaparte, cheia de estratégias, vou tentando ganhar uma guerra insana contra neurotransmissores rebeldes.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Dos dias assim


Já o 19 corre... e os dias passam como um trem... me atropelando.
Do dezembro de 18 e das festas pouco há que se dizer. Também os dias de férias em janeiro transcorreram tranqüilos e alegres.
No Brasil o 19 será lembrado pela tragédia em Minas Gerais, são tantos os mortos que levaremos anos chorando esse luto coletivo.
Eu tenho estado quase sempre bem, me sinto preparada para recomeçar. E vez ou outra acho que isso vai acontecer, independente de minha vontade.
Mas há momentos em que a tristeza e a saudade me abraçam de forma tal que transbordo em choro de auto piedade. É nesses momentos que o cansaço e a solidão são uma presença concreta. Como um nevoeiro de inverno que me envolve e não lhes posso escapar. Então me aquieto e espero que passe por si só.
Assim sigo, depois de lavar a alma no choro reprimido de meses, para mais um período de alegre calmaria. Volto a ser a personagem inventada, dizendo textos que agradam à platéia. Dessa forma a atriz por traz da personagem fica totalmente esquecida, até dela mesma.

Dessa forma enfrento o 19 e todos os anos que estão por vir.