segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Prestação de Contas

 

A teia dos meses desse ano estranho tem me sufocado.

Tem sido ano de muito trabalho. Os dias recheados de horas de estudos da língua inglesa. Ano de projetar a viagem. Contar as economias e ficar de olho nas notícias sobre as fronteiras do mundo.

Ah! A viagem! Tão almejada fica pequena dentro de grande vazio que se instalou em mim a meses.

É vazio de tudo... então encolho e engasgo com as palavras trancadas em mim. Ando cismando de que aos poucos silenciarei como o Pai. Aos poucos, encontro nos meus olhos o seu misterioso olhar. Acho que também ele morreu sufocado no cansaço que o silencio que grita por dentro.

A pandemia se foi, mas há no país e no mundo uma neblina densa de conflito a dividir as pessoas. Nunca mais seremos os mesmos. E esse é o tempo que a Neta herdará!

terça-feira, 3 de maio de 2022

Do 22

 

O meu ano tem escoado, distraída que estou com hábitos e coisas inúteis.

Vazia, não escrevo.

Assim tem sido, se de outra forma for, só saberei ao final.

Do 22 só espero que passe, e ao se despedir me traga um sorriso e que eu diga: “que ano foi esse”.


PS. Foi Decretado o final da pandemia. Vai saber se é ou não.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

recomeços

 Ando intentando de ser outra pessoa.  Ser um pouco menos ansiosa é um desafio. Tratar o passar dos dias como apenas datas no calendário é uma das estratégias.

Ando vivendo como quem não espera. Sei que é sensação transitória, pois ter esperança e fazer planos são inerentes aos meus propósitos de vida, ainda que inconstante vivo numa gangorra de sentimentos. Sinto-me numa encruzilhada novamente, e como já mencionei várias vezes nesses anos todos por aqui, é tempo de novo recomeço.

Recomeço exige preparo, requer vontade e fôlego. É ter nova perspectiva, novo olhar sobre os fatos. É preciso eliminar esse esgotamento da luta perdida, causada pela desilusão de começos que não se concretizaram.

Recomeço é bagagem, por vezes pesada. É mirar o futuro olhando pelo retrovisor do passado o caminho percorrido. É remendar e refazer. É ter coragem de admitir o fracasso dos antigos começos. É casa vazia após a mudança, ocupada por desalento e incerteza.

Recomeçar é preciso, para que novos começos sejam possíveis. Começo é roupa do corpo. É andar sem documentos por uma estrada nova, olhando com expectativa o futuro. É janela aberta para uma nova paisagem. É frio na barriga carregado de confiança. É em fim continuar fazendo a vida valer a pena.

Mario Quintana já disse: “ Nada jamais continua, tudo vai recomeçar”. Recomeço é o fim do que foi começo, mas também é início de tudo de novo.

E nesse tempo ainda pandêmico, sigo recomeçando, todos os dias, ainda que temporariamente, meio prostrada.