quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Dezembro novamente


E já é Dezembro novamente... mês tão intenso... sempre me esgota o corpo e esmaga a alma.
Contudo este dezembro de 18 se apresenta diferente... ou eu mudei.
A Neta um pouco mais crescida já circula por entre os presépios e árvores de Natal a procura de seu “pizente”, com o misto de alegria e medo que o velho Noel provoca nas crianças.
As programações para as festas e as férias já não me causam as costumeiras melancolias dos últimos anos.  Mas, contudo estou sentindo um distanciamento incômodo, sinto falta da antiga conexão.
Dos dezembros de tantas comemorações, restou o aniversário da Filha. Ela com a maturidade tem ficado cada vez mais pratica e já não lhe dá ganas de grandes festas. Já não esta mais seu festeiro pai. Seu eterno companheiro de brincadeiras que só cabia na relação dos dois. Ele era sua metade sonhadora. Então como qualquer adulta comemora seu aniversário de forma comedida.
Eu tenho estado a consertar paredes, me desfazer dos antigos móveis e dar novas utilidades aos cômodos da casa. Mas faço vagarosamente como quem não quer fazer. Não sei por que, mas sei que é assim.

Então além do trabalho que se avoluma nesse período, nada mais é o que era.


Como diz o poeta: “As coisas se transformam, e isso não é bom nem mal.” 
     Osvaldo Montenegro

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Esperando


Eu por hora vou vivendo de pequenas aventuras, umas reais... outras criadas por minha vontade de sair do cotidiano, como uma Alice sem o país das maravilhas.
Ora brincadeiras alegres com a Neta, ora momentos tensos com a Filha.
Ora conversas intermináveis com as amigas, ora silêncios eternos comigo mesma.
Assim, vou passando estes dias, quase sempre acompanhada de uma xícara de café bem quente e forte.
Quase sempre esperando por algo que ainda não sei o que seja.
Esperando...

“Ficou ali sentada, os olhos fechados, e quase acreditou estar no País das Maravilhas, embora soubesse que bastaria abri-los e tudo se transformaria em insípida realidade…”
Lewis Carroll

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Uma conversa


Nem sei como te contar deste tempo que já não é mais teu.
Muito do que tu conhecias já se foi.
Nosso Brasil esta tão diferente, a política não se faz encontrando e conversando com as pessoas. Agora é uma enxurrada de mensagens enviadas num mundo virtual onde não se consegue distinguir a verdade da mentira.
As pessoas se escondem por traz deste mundo tão distante do real e são tomados de uma agressividade que assusta.
E neste mundo de agora se perdem a empatia, a solidariedade, a aceitação do outro e o amor ao próximo.
E me entristeço de forma tal que sinto um cansaço de viver nestes tempos.
E ando tomada de uma desesperança infinita, e de um medo angustiante pelo mundo que a Neta vai encontrar para viver.
Nossas utopias de antes estão sendo esmagadas por teorias conspiratórias, por interesses corporativos, por um patriotismo carregado de ódio.
Entristecer-te-ias também.
Nunca me senti tão solitária como neste tempo de tanta informação compartilhada.
E tenho medo que me volte aquela dor entre as costelas, tal é a saudade do tempo que era nosso.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Porque chora a tarde


Ando por estes dias como esta triste primavera sem sol.... chorosa por dentro.... são saudades recolhidas ... saudades das conversas... saudades dos beijos... saudades do cheiro... saudades do toque.
Espero que a primavera ensolarada venha para espantar estas saudades e aquecida pelo calor do sol sair com o sorriso livre de toda saudade.
Como a musica de Antonio Marcos eu choro como a tarde triste e chorosa desta primavera de 18.

“A tarde está chorando por você
Porque assiste a solidão
No meu caminho
A tarde entristeceu
Junto comigo
E eu preciso dessa tarde
Como abrigo”

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Quando o corpo fala


Algo acontece e o mal estar se instala, ou será o contrário?
Não se consegue saber, só se sabe que tanto o acontecimento quanto o seu reflexo no corpo estão associados.
É quando sei que a esperança se foi.  Antigamente lutaria para mantê-la viva ainda que agonizante.
Hoje não, simplesmente paro de esperar. E neste pequeno luto pulo as fases da negação e da negociação.
Aceito a perda resignada e entro na depressão que resulta no corpo doente.
E então vou ao fundo, deixo queimar a febre ancestral que consome toda dignidade... e choro.
Não choro pelo objeto perdido, mas pela morte da esperança.
E então renasço...
Aprendi assim nesse meu tempo de agora ... purgar a tristeza até o final para novamente ter esperança...
                                             E é assim que é....

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

De bom humor


Bem sabes que tomei a resolução de estar bem. De ir chutando a melancolia e enganando as tristezas.
Tentando manter uma postura positiva diante do imponderável e inseguro futuro.
Nos tempos que eram nossos (os melhores ao menos) riamos sempre e de tudo.
Nossas mazelas eram transformadas em histórias hilárias, lembradas sempre com muito humor e leveza. E era bom...
Tento agora nesse tempo que é só meu, resgatar esse humor antigo.
Aprendi com Ariano Suassuna que o humor é capaz de nos salvar do desamparo diante das tristezas do mundo. Com ele podemos nos aprofundar de forma leve em nossas fraquezas e dúvidas existenciais.
Podemos gritar nossas verdades sem agredir ao que não pensa como nós.
Com humor podemos alcançar a alma doida do outro e lhe arrancar um sorriso.
E assim sigo... já que nossos planos era seguirmos alegres.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

A vida é risco


A frase não me sai da cabeça; “A vida é risco que vale a pena”.
(Não sei quem disse nem de onde a tirei).
Como um sino monótono ela replica na minha mente o tempo todo.
Por estes dias tudo é risco... neste tempo ... nesta vida... que nunca pensei viver.
Assim munida de uma coragem que não é naturalmente minha, mas que inventei para mim, estou me cobrando o risco de viver.
Sorrindo arriscando chorar, ter arriscando perder...
Valerá ou não a aposta?  ... saberei vivendo...



E os versos de Cora Coralina fazem todo o sentido:
“Não sei ... Se a vida é curta ou longa demais para nós...
... Mas que seja intensa, verdadeira, pura .... Enquanto durar”

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Saudadeando


Ando lembrando o quarto amarelo, com paredes de tabuas largas com o Cristo pendurado sobre nossas cabeças.
Lembro-te sentado a beira da cama com uma xícara de café quente, já vestido para o trabalho.
Lembro o sabor forte e amargo do café, que hoje busco em todos os cafés expressos que tomo.
Lembro o gosto do cigarro em tua boca, o calor que ficava quando saías depois de me beijar a nuca...
Lembro eu bebendo o café, quieta, olhando pela janela os beija-flores beijarem os brincos de princesa vermelhos da vizinha.
E lembro o quanto era bom sentir os nossos cheiros misturados na cama... assim começavam nossos dias no tempo que ainda era teu ... nosso...


O que ficou no coração sempre volta vez ou outra ... não é tristeza... é só uma visita

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Uma dor


Estou aqui tentando dar mais um passo. Então... algo me prende, segura e causa medo.

Será um pequeno passo, poucos irão notar. Mas não esta fácil tomar a atitude.

Para mim a aliança que me deste é feita de coração e alma, que pensei usar para sempre como tem sido até agora. Ela representa a lembrança do pacto que fizemos um dia.

Deixar de usá-la é como me despedir definitivamente do que um dia fomos um para o outro.

Nesse meu tempo de agora, sinto que é preciso... para continuar.

Mas me dói uma dor sem nome, uma dor de vazio...

Dói-me não saber-me mais, não ser mais o que eu era e nem o que um dia eu quis ser...

Dói...

terça-feira, 24 de julho de 2018

De inverno e esperança


Este inverno, que não é mais teu tempo, esta estranho.
O sol fica escondido por dias.
O céu se apresenta cinzento e triste, carregado de densas nuvens que prometem chuva e frio. Sabemos que o dia amanhece, mas ele não brilha.
Este clima me causa uma inquietante melancolia, que tento esconder até de mim mesma. Vem-me essa vontade de escutar velhos boleros e de me envolver na colcha colorida de crochê.
Mas tem sido momentos cada vez mais breves e ainda que o sol se negue a aparecer eu ando com esperança.
Uma esperança de que na primavera os dias voltarão a brilhar.
Espero o setembro para novamente abrir as janelas, dançar uma musica alegre, caminhar descalça e festejar o dia.
Espero o setembro e a primavera para esquecer os tempos de céu cinzento.
Tenho esta louca esperança de que a primavera seja o prenuncio de um feliz verão.


Que o setembro sempre tão especial me encontre mais leve.


terça-feira, 10 de julho de 2018

Melancolia


“Melancolia é um sentimento que nos lembra que algo nos falta, que esteve ali, que era bom para nós, mas que já não podemos recuperá-lo.”

Hoje vivo esse sentimento de tristeza pelos momentos que não foram vividos, pela perda e pela distância.
Já não vivemos mais o mesmo tempo.
Teu tempo é outro e nele não te posso alcançar.
Da mesma forma meu tempo também já não é mais o teu e nele vez ou outra tu me alcanças em um sonho, num olhar da Filha ou nas palavras de algum amigo.
Por tudo isso essa melancolia de hoje.


É como me sinto nesse dia frio e úmido igual ao de 5 anos atrás.



sexta-feira, 15 de junho de 2018

Aniversários


Lembro que não gostava de comemorar meu aniversário. Tinha um estranhamento com a data.
Hoje percebo que era uma baixa estima que me fazia sentir como não era merecedora da comemoração.
Mas mesmo com toda minha má vontade, festejavas...
Era dia de convidar amigos escondido, de cozinhar o que apetecesse e ficar alegre por mim. Eram reuniões de todo tipo, desde jantares para poucos a coquetéis para muitos.
Por fim me dava por vencida e aceitava tanto carinho com contida faceirice.
Então, neste tempo que já não é mais teu, algo em mim mudou.
Sinto que devo comemorar ainda estar por aqui. Agradecer pela vida, pelo passar dos dias que nem sempre são fáceis, mas são sempre dias de aprender.
E agora talvez impulsionado pela presença cada vez mais alegre da Neta, o frio dia de inverno, é aquecido com a algazarra de tantos vendo meu desajeitado contentamento.



Dessa forma, ontem foi um feliz aniversário para mim!


terça-feira, 22 de maio de 2018

A Neta


O aniversário de 2 anos já se foi.

São as águas do rio do tempo passando por mim.

E em se tratar da Neta, não há o que possa ser dito... mas muito a se viver.

O momento a se viver é tão especial que nem ouso tentar prever nosso futuro juntas.

Espero estar presente, mas se assim não for quero estar entre as suas melhores lembranças.

Assim vamos construindo o futuro com pequenos momentos simples do cotidiano...

Ah!.. são muito melhor e mais intensos com ela.




Vivo esse amor imenso e alegre...
Apaixonada para sempre...


quinta-feira, 26 de abril de 2018

A alegria


Finalmente fiz uma viagem que me fez lembrar muito mais de mim do que de qualquer pessoa.
Me fez lembrar a menina curiosa que fui e que queria conhecer o mundo.
Me fez lembrar a jovem alegre que fui e que vivia intensa e alegremente o momento.
Não sei se foi a companhia das amigas ou se foi a tranquilidade que tem encontrado meu coração ultimamente.
Depois de tanto tempo acho que tenho andado sendo eu mesma.
Ando esquecida das lágrimas e da dor nas costelas... e isso é bom!!
A saudade tem sido leve e até alegre.
O lugar vazio tem sido ocupado com as expectativas que eu mesmo tenho inventado.
Diriam alguns que estou no momento eufórico de minha bipolaridade.
Digo eu... estou vivendo simplesmente...



“É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração”
Vinicius de Moraes
 


sexta-feira, 20 de abril de 2018

Momento

Há momentos que paralisam e nos conectam diretamente com Deus. Como a hora da Ave Maria.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Numa tarde de Carnaval ... um desabafo...



Sabe quando andamos por ai com o coração apertado?
Aquela dor entre as costelas, mas que não é dor?
Quando sentimos que nos olham, mas não nos vêem?
Este para mim é um lugar nebuloso... onde o que tenho é ofuscado pelo que não tenho... pelo o que perdi...
Acho que eram nesses momentos que sentia tua mão me puxando. E agora que estou sozinha, sinto esse cansaço... essa vontade de desistir...
A luta para sair deste lugar é cansativa e solitária demais.
Assusta essa sensação de tempo perdido de esperar por algo que não virá...
Mas espero... o verão passar... o carnaval passar...
Talvez minha alegria volte quando a luz e a alegria diminuir com a chegada do outono.
Talvez haja um maior equilíbrio entre o que tenho por dentro e o que vejo fora de mim.
Enfim hoje é terça de carnaval... é só uma Colombina sem Pierrô... e ... estou triste...

 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O tempo, a vida e suas urgências



As festas de dezembro ficaram para trás.
A entrada do ano foi na praia, lugar lindo e como eram minhas férias, aproveitei os dias para me deliciar com a presença alegre da Neta. Terias gostado. Foram muitos chamegos, muitas brincadeiras a beira mar. Foram dias de lembrar para sempre.
O lugar era totalmente novo para mim, então me afastei da melancolia que me toma quando a saudade chega. Tratei de criar novas lembranças, pois como sempre digo por aqui, continuar é preciso.
Lá aprendi a gostar um pouco mais da minha companhia, aprendi a me convidar para sair e dar risada sozinha e voltar leve, cheia de coisas para contar.
A convivência com a Filha e sua pequena família nem sempre foi tranquila, mas foi alegre e espero sempre poder desfrutar de mais dias assim, com estes meus amores de agora.
Já o janeiro esta se indo, os dias de trabalho intenso não têm deixado espaço para mais nada.
Assim percebo que o tempo, esse rio que não para de correr, se escoa. E a rotina do passar dos dias me engole e tenho comigo esta intrigante sensação de perda e urgência.
Perco o tempo de convivência com a Neta.
Perco a vitalidade de uma juventude que já não é mais minha.
Perco os afagos da presença dos amigos, agora já tão poucos.
Perco a segura presença de minha mãe, agora mais titubeante que nunca.
E tenho urgência por viver mais, ter tempo para a vida, a Neta, os amigos, a mãe e ... talvez o amor novamente.
Sinto que já não posso mais esperar, viver é urgente e preciso.
Ainda, que viver não seja preciso como navegar...
 


“Navegar é preciso, viver não é preciso”
Fernando Pessoa