Um dia contarei para a Neta uma historinha de Natal.
Era uma vez um Rei que tinha inventado uma maneira muito especial de dizer o quanto amava sua Rainha.
Todos os anos no Natal ele dava a sua amada um panetone. E ela que esperava ansiosa pelo presente, gostava de saboreá-lo com um café na manhã de Natal.
Enquanto sorvia o café quentinho e comia o panetone em pequenos pedaços, ela observava o Rei brincar com a pequena Princesa, que faceira desfilava com bonecas e panelinhas que ganhava na noite anterior do Papai Noel.
O anos foram passando, mas a Rainha sempre ganhava seu panetone e continuava seu ritual no café da manhã de Natal. Nem o Rei nem a Princesa gostavam de panetone, mas gostavam de ver a Rainha se deliciar com aquele pequeno presente.
Quando a Princesa casou-se e foi morar noutro reino, o Rei costumava ficar em silêncio olhando calmamente a Rainha em seu café de Natal. Talvez com saudades de sua pequena princesa, talvez prevendo que um dia não pudesse estar mais ali.
E assim foi, um dia ele precisou fazer uma grande viagem, deixando sua Rainha sem seu presente especial de Natal.
A Rainha se sentia triste, o café já não tinha o mesmo sabor. E assim foi por alguns anos.
Até que um dia uma menina Princesinha, filha da Princesa, chegou com um panetone para sua vovó Rainha.
Aí a Rainha percebeu que novamente teria seu saboroso café de Natal.
Aquele panetone trazia consigo uma declaração de amor, de delicadeza e cuidado.
E a Rainha foi feliz para sempre!
sábado, 23 de dezembro de 2017
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
Lento caminhar para a tal solidão
Por esses dias encontrei a Amiga,
foi triste perceber que o distanciamento dos últimos tempos já produziu seus
efeitos.
Senti falta da antiga intimidade, das gargalhadas e dos abraços
confortantes.
Assim como a tua imagem vem se
perdendo no tempo, sinto que perco aos poucos também os antigos amigos. Lembro a
letra de Osvaldo Montenegro que fala dos amigos que deixamos de ver e dos sonhos que vamos perdendo com o passar dos
dias.
Osvaldo nos leva a pensar sobre a
pessoa quem somos no presente... se reconhecemos agora aquele que um dia pensamos
ter sido.
Resta apenas aceitar e entender
que assim é a vida, um lento caminhar para a tal solidão que me assusta.
"Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?"
Osvaldo Montenegro
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Do irmão e sua alma atormentada
Como os dedos de uma mão, somos cinco
irmãos muito diferentes. Nada excepcional e que não se encontre em qualquer família.
Este irmão sempre teve um olhar
atormentado por algo que chegou com ele de outra vida.
Sempre trouxe consigo esse estranhamento
que fez dele um menino chorão e medroso, sempre preocupado, como que
antecipando seu futuro tortuoso.
Hoje sinto que ele olha para trás
e se arrepende dos passos que deu, mas ao mesmo tempo ele sabe e todos nós
sabemos que ele não teria podido fazer diferente.
Esse jeito estranho um dia lhe
levou a caminhar por mais de 800
km na Espanha, esperando encontrar as respostas no
Caminho de Compostela.
Mas agora vendo que o caminho
apenas lhe serve como uma lembrança de superação e que agora lutando com seus
demônios ele sente que não consegue mais.
E nós? ... estamos todos a nos
perguntar como ajudar, como poderemos alcançar sua alma sofrida e castigada de tormentos ancestrais?
Não conseguimos... vezes porque
cansamos ... vezes porque sentimos que ele cansou.
E o que fica é um medo de não
termos feito o mínimo para segurar sua mão na tormenta, de não o termos
abraçado o suficiente para que se sentisse acompanhado em sua luta.
Quero dizer-lhe: levanta teu caminho não
terminou, só precisas seguir mais um pouco.
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Essa tal melancolia
É estranho como somos inconstantes.
Ando desanimada, cansada e sem motivação para nada.
Cansada das noites sempre iguais e dias intermináveis e monótonos.
Meu desanimo não tem nada a ver com a Neta ou a Filha ou com
a importância das pessoas na minha vida.
Tem a ver comigo e com uma espécie de falta de perspectiva.
Acordo e penso no dia que tenho por viver e sei exatamente o
que deve acontecer, e essa previsível mesmice me consome com uma fadiga
antecipada.
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Da mãe e seus bonecos
A Mãe deu para tecer bonecos de
crochê enquanto reza intermináveis terços marianos.
Esta mais calada.
Sinto que olha ao seu redor e
como enxerga cada vez menos, só o que vê é o pequeno mundo de sua casa
envelhecer como ela e ruir aos poucos sem o Pai para lhe fazer a devida
manutenção.
E ela que nunca foi dada às agulhas
e linhas, começou a tecer, primeiro intermináveis tapetes de linhas coloridas.
Depois demonstrando a esperteza e
inteligência que sempre foi subestimada, se iniciou nos misteriosos caminhos da
internet e ao 80 anos aprendeu o mínimo para lidar com as novas tecnologias.
Avidamente vasculha o mundo
virtual atrás de receitas de crochê; primeiro foram os polvos, depois cachorros
e por fim animais e personagens esquisitos, que ela tece e coloco o que chama
seu toque. São olhos esbugalhados, bocas torcidas e orelhas esquisitas.
A volta de sua cama os novelos de
linhas se entrincheiram desordenados, aguardando que essa senhora de olhos
pequenos e apertados venha lhes dar vida ao som monótono da ladainha das “Aves
Marias”.
Assim transformados em criaturas
esquisitas ela os vende e ela os dá...
Espero que quando for sua hora de
partir deixe vários deste seres espalhados por ai para que então a Neta diga:
foi a Bisa que fez!
Dessa forma preenche o escuro dos
seus dias com o colorido desses personagens quase mitológicos.
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Só pensando na vida
Ando por esses dias a pensar na
finitude de todos nós.
Desde que partiste muitos dos
queridos que estavam na foto de natal, também já se foram.
Foram se as tias, uma levou
consigo o segredo de muitas receitas e outra o segredo de como ter um olhar tão
doce, de ser tão delicada e tão forte ao mesmo tempo.
O tio também partiu, dizem os médicos
que de doença, mas todos sabem que foi saudades do doce olhar, daquela que foi
sua fortaleza e seu dengo de uma vida toda.
Partiram também amigos, tantos
que nem sei numerar agora. Foram se artistas e pessoas ditas ilustres, que por
sua história de vida talvez não morram nunca.
Mas porque penso nisso agora?
É que a Avó (não eu) da Neta
enfrenta sua batalha por não partir.
Mas a ela foi dada a chance de
dizer alguns adeuses. Não se irá num repente. Terá chance de dizer de seu amor
aos que ama, de perdoar e ser perdoada. E certamente valorizará estes momentos.
Mas a Neta tão pequena ainda não
sabe de nada dessa vida que passa tão rápido.
No futuro preciso lembrar-me de
falar a ela, destes que lhe sorrirão nos retratos, nos vídeos e em todos estes
novos modos de eternizar as pessoas.
Mas é claro que tudo isso me faz pensar
em minha própria finitude e me causa uma urgência por viver.
Quero muito viver esse futuro que
tanto me assusta, que por vezes me parece tão vazio sem a tua presença mas que
ainda assim esta repleto de sonhos por realizar.
Como
diz Belchior (que também já partiu) “ viver é melhor que sonhar”.
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
Indo em frente
Lendo o texto abaixo, vejo que já
me aproximo mais daquilo que quero ser.
Ainda luto com meus fantasmas e
medos, mas cada vez que caio me fortaleço a cada vez que coloco as coisas nos
seus lugares e dou a elas suas reais relevâncias em minha vida.
Dessa forma tenho desafogado os
espaços de minha alma, ainda não totalmente livre (quem sabe se um dia será?),
mas já a deixo mais leve.
Quando o medo vem me paralisar, eu
sigo com ele assim mesmo, e então faço da vontade de superá-lo, minha alavanca
para me mover em direção ao meu incerto mas desejado futuro.
“é capaz quem acredita que é capaz, quem é forte e deixa
de olhar para trás, quem respira fundo e segue em frente, quem é corajoso para
não abrandar o passo perante os nãos da vida, quem é determinado e luta sempre,
mas também quem pára de lutar quando já não vale o esforço.
é capaz quem acredita que é capaz, quem é leve porque
sorri para a Vida, quem é seguro de si e ri de si mesmo para aliviar o peso dos
dias, quem chora para limpar a alma, quem é resiliente na fé que guia os seus
passos, quem é justo e tem paciência para as esperas da vida, quem é bem
resolvido porque tem gratidão no coração, quem tem foco para viver tudo o que
falta, quem tem clareza para fazer as suas próprias escolhas, e quem tem paz
para ser feliz.”
Disponível http://www.asnovenomeublog.com/
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Uma música
Chuva - Cantor português
Berg
As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade
https://www.youtube.com/watch?v=Xm8vVcALXN4
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Essa tal felicidade
Publiquei
este texto em 2014...
Mas então... eu concordei com o texto, e pensei em meu pai que passou a vida a trabalhar e laser para ele era no máximo uma pescaria ou um passeio na casa dos parentes e em meus avós, que pelo que eu sei só trabalharam, criaram filhos e nunca fizeram uma grande viagem. Certamente não programaram carreira, o que não foi motivo para não gostarem do que faziam. Pelo menos o pai adorava ser caminhoneiro e exercia a profissão com dignidade e orgulho.
Vocês devem estar pesando o porquê disso, é que neste ano tenho lamentado tanto o Junior ter partido tão cedo, não ter realizado tantos sonhos e estou incomodada comigo mesma, pois influenciada por esta “perfeita felicidade”, estou esquecendo o quão feliz e realizado ele foi. Esquecendo tantas vezes que o vi feliz por fisgar um peixe no anzol, vibrar com o som de um motor de carro funcionando depois de um dia de trabalho na oficina, com a empolgação em passar um feriado na Rondinha. Férias foram poucas, dinheiro também não foi muito, mas quem pode duvidar que ele tenha sido um homem feliz e realizado, já que suas realizações só podem ser comprovadas por aqueles com quem ele generosamente compartilhou sua vida.
Então é por isso que recomendo o texto... é bom, não é ótimo... mas se não estiverem a fim de ler também é bom e está ótimo.
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Aniversário
Já é junho e já é meu aniversário.
O tempo esse danado tem passado como um trem sem freio. Meu estado
de silêncio dos últimos meses me impediu de lhe contar do aninho da Neta.
Ela tem sido nosso presente mais belo e doce. Uma jóia pequena
e delicada. Calma e traquinas.
Sei que se puderes lembrarás de mim hoje e penso um pouco
mais em ti. Seria uma festa. Tu e ela a me mirar com o olhar do amor
incondicional.
E neste dia frio, úmido e nublado enfrento com um sorriso a
festa sem ti, amparada pela alegre presença da Neta.
Este é um feliz aniversário, finalmente depois de
alguns muito tristes.
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Das coisas que aprendi
Te
surpreenderias com as coisas que tenho aprendido....
Aprendi
a não julgar tanto...
Não
falar tudo que sinto...
Escolher
não ser triste apesar das dores...
Ver
filme sozinha...
Mas
o melhor é que finalmente aprendi a olhar a beleza no singelo, no que é
simples... e isso aprendi contigo.
Éramos
tão diferentes, muitas vezes identifiquei estas coisas como uma fraqueza tua. Hoje
percebo a sabedoria de teu espírito. A tua ausência me fez entender a grandeza
do que uma vida inteira tu me ensinaste com simplicidade.
Agora
que a saudade é uma companheira suave e que já não machuca tanto, consigo ver essas
mudanças em mim como um presente teu.
Já não é na lágrima que
eu te encontro ... mas é na surpreendente beleza que as vezes a vida tem.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Esperança
Um
dia sonhei com a utopia do “mundo melhor”.
O
escritor Eduardo Galeano escreveu que a utopia é como o horizonte; cada passo que damos
ao seu encontro outro tanto ela dá, se afastando de nós.
Então,
diante do mundo sombrio de hoje, fui deixando de sonhar com utopias.
Fui
cansando de dar passos e nunca chegar...
Mas,
ainda que tenha perdido a fé, vivo uma dicotomia: mantenho a esperança.
Tenho
uma esperança danada de que tudo será diferente um dia.
Tenho
a esperança de que o mundo que a Neta vai conhecer será melhor, bem mais ético
e muito mais solidário.
E
neste mundo cheio de honestidade e empatia, ela não conhecerá a injustiça e o
medo.
Enfim...
é a esperança que faz com que o “futuro” faça sentido...
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Cansaço
A
Filha anda cansada. Agora que é mãe e as urgências da sua vida profissional lhe
assomam mais e mais o tempo de descanso, vem perdendo o brilho e estampa no
rosto um cansaço que já foi meu.
Tenho
esta vontade de lhe resolver os problemas, de abraçá-la, de lhe tomar ao colo e
ninar. Sei o quanto é esgotante ser mãe, mulher e profissional.
Por
vezes tenho me reconhecido nela e em sua correria para dar conta de tudo.
Já
fui assim, sempre com um compromisso atrasado, com algo por fazer, sempre
adiando os projetos por falta absoluta de tempo para programar.
O
tempo não é suficiente para executar tudo, então vamos deixando muitas falhas
pelo caminho. Até que em algum momento estas lacunas tornam-se buracos negros
que nos engolem.
Com
a maturidade vamos tomando o comando de nossa rotina. Aprendemos a selecionar.
A vida vai ficando mais leve, os filhos deixam os ninhos e as pessoas vão
descendo do bonde de nossa vida.
Tenho
ganas de lhe dizer “Filha isso vai
passar... não desista por cansaço...”, que é assim a vida de toda mulher.
Ainda que às vezes duvide disso, já que para algumas as coisas parecem tão fácil.
Quero lhe dizer que
cansar faz parte, chorar e sentir raiva também e que tudo servirá de
aprendizado para o futuro... mas é inútil, há que se viver para aprender....
sexta-feira, 17 de março de 2017
Outra Conversa
Ando
com esta inquietação... Se este ainda fosse o teu tempo... conversaríamos... tu
me dirias da tua opinião, com aquele jeito simples e direto.
No
primeiro momento te diria “tu não entendes nada mesmo”. Mas tuas palavras
ficariam dançando em minha cabeça. Ai então durante o café da manhã eu te
olharia nos olhos, tu sorririas. E eu calada pensaria “tens razão... é
bobagem...”
Mas
já não estas, e tenho que tratar sozinha dessas e de todas as coisas. Até
aprendi a controlar um pouco minha ansiedade, mas continuo a sentir falta de
dividir com alguém estes sentimentos.
Mesmo
com o tempo que passou, ainda penso as vezes que um dia ao nos reencontrarmos,
te direi tudo, te falarei das mudanças no mundo desde que te foste, dos
acontecimentos com a Filha, te falarei da Neta e principalmente falarei de mim.
Será uma conversa longa e que me causará grande alívio.
Por
enquanto estou optando pelo silêncio que vez enquanto grita aqui neste espaço
virtual.
Louca que sou continuo minhas conversas
contigo.
terça-feira, 14 de março de 2017
Numa viagem... uma nova vida...
Ando querendo viajar...
Não uma viagem de turismo...
Mas ir para algum lugar e nele viver um cotidiano
novo.
Novas pessoas, novas conversas.
Uma padaria nova, um novo cheiro de pão quentinho.
Uma livraria nova, onde tenha um café quente e forte,
para abrir um livro na última pagina e assim ler de trás para frente.
Mas não irei a lugar algum...
Ando procurando ter um novo olhar sobre o que já é
conhecido.
Tento me encher de novidade com este velho cotidiano.
Tarefa árdua, que cansa e pesa... não se pode
viajar para longe de si mesmo.
Imagem da internet: http://followthecolours.com.br/art-attack/seth-globepainter-2/quarta-feira, 8 de março de 2017
Dando corda ao silêncio
Por
dias venho tentando colocar no papel os sentimentos que me tomam.
Estive
na Rondinha, o mar estava lindo, mas não tive ganas de registrá-lo. Não tive “os flashback”, que minha mente costuma produzir,
armadilhas para as saudades de meu coração. Estive lá, mas não estive na
Rondinha do passado, tudo ocorreu como tem que ser, no tempo presente.
A
Neta e seus chorinhos, seus dengos e seus bracinhos fizeram com que eu não
desejasse senão viver aqueles momentos. Deliciei-me com aqueles instantes que
sei nunca mais serão os mesmos. Eles me deram o real significado de viver o
presente. Não desejei nada além de estar ali. Espero que assim seja, de agora em diante.
Ainda
agora fico dando voltas, mas não consigo descrever esta inquietante ausência da
antiga eu que me tem assolado.
Me
inquieto e não me reconheço. Acho estranho, mas agora parece um recomeço
verdadeiro. Porém, em muitos outros momentos destes últimos quatro anos me
achei recomeçando, para então me deparar com minha antiga eu e seguir a mesma só
que com muitas cicatrizes.
Decido deixar assim, dar corda ao meu silêncio comigo mesma.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Espiando o passado
Tento
às vezes rever o passado. Ou ao menos dar uma espiada.
Foi
o que me aconteceu no final de semana, voltei à antiga rua.
Da
casa em que morávamos nada resta, busquei pela memória, para sentir o cheiro da
cera no assoalho de tábuas grandes. Ver a sombra da casa se projetando na grama
em frente aos degraus da porta da cozinha.
Já
a casa dos tios ao lado, esta lá ainda. Com a mesma cor nas paredes, as janelas
também são as mesmas, o mesmo corredor em que a Filha tropeçou seus primeiros
passos. Mas é só. Já não tem mais a áurea alegre, que a algazarra das primas
produzia. Eu a vi tão sombria e triste.
Maior
tristeza eu tive pela casa que ainda existe, mas não é mais, do que pela que por
não mais existir permanecerá viva na memória.
Fui
também buscando as pessoas de antes.
Fui
atrás das conversas alegres, do burburinho de todos falando ao mesmo tempo.
Fui
atrás da melhor Amiga, daquilo que nos uniu um dia. Mas ela também agora é
sombra do que já foi e nossa amizade foi esfriada pela distância e pelo tempo. Perdemos
ambas, a intimidade que nos ligava, não conseguimos passar de uma conversa
superficial, entremeada de longos silêncios. Fiquei pensando, onde e quando foi
que se perderam as duas meninas que fomos um dia?
Vou
percebendo que por mais que queiramos, o passado não volta. Melhor deixá-lo no
lugar dele... entre fotos antigas... e vez em quando alimentando as nossas
saudades...
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
É o tempo correndo
Dezembro
passou e janeiro já se foi. O fevereiro também corre muito, e já é quase
horas de nos despedirmos do horário de verão deste ano.
Do
dezembro de 16 o que vai ficar na memória é a noite de natal em que eu num
esforço de realizar o sonho que era teu, me vesti de papai Noel. Foi quente,
foi melancólico e para a Neta não parece ter feito diferença. Então decidido
esta, que não repetirei a experiência. Pensarei novas formas de manter a magia do
Natal.
O
janeiro foi um sopro. Passou rápido, abafado e quente....
Tiveram
as férias dos primeiros dias. Teve sol, água de coco e me dei ao luxo de nada
fazer. De lagartear ao sol e brincar com as gurias Sobrinhas. Foram dias
leves....
Assim vai passando o tempo, esse rio
que corre ... como bem nos lembra Lia Luft
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