Agora
que a Filha é mãe, muitas de nossas conversas têm sido sobre filhos. O que não
deixa de ser irônico, e às vezes cômico.
Com
estas conversas tenho visto muito mais dela como filha do que antes. Suas
atitudes como mãe muitas vezes deixam transparecer suas critica ao modo como
foi criada. Quando fala dos cuidados com a Neta, o modo como quer educá-la,
alimentá-la e vesti-la, denotam sua opinião de como ela mesma foi educada,
alimentada e vestida.
Eu
como mãe madura que sou hoje, de certa forma concordo com ela, e sofro um pouco
pelo que já não posso mudar.
O
que me aperta o coração é que vejo em suas falas que ela credita grande parte
de suas dificuldades pessoais à mãe que fui. Nesse instante sofro do que eu
chamo de “culpa ancestral” de todas as mães.
Então
rezo, para que ela consiga me perdoar, da mesma forma que eu também tento. Uma
vez que fui uma mãe com muito menos informações e muito mais insegura.
Queria
que se pudesse retornar no tempo. Que me fosse dada uma nova oportunidade com a
Filha, não para amá-la diferente. Mas para estancar o instante decisivo em que
uma atitude minha tenha contribuído para qualquer sofrimento para ela.
E
mesmo agora não sei o que fazer para ajudá-la.
Nesses
instantes ressurge em mim a mãe jovem e insegura. Tenho vontade de abraçá-la e protegê-la
da mãe que fui.
Espero
apenas que o tempo e a maturidade possam atuar sobre ela da mesma forma como
atuaram sobre mim. Que conhecendo suas fragilidades e de onde surgiram, perceba
que ela pode sim mudar, que sempre será tempo.
Dessa
forma me perdoará, entendendo que fui a mãe que consegui ser, não por não amá-la,
mas por não sabê-la.
imagem roubada da internet