quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Um vazio


Sabes que já me recuperei. Mas ainda existem os dias em que precisava apenas de minha cabeça em teu peito, do abraço apertado, das nossas conversas e dos nossos silêncios.

Hoje é dia de vazio...  é nesses dias que a saudade mais me preenche.
 
E é assim....

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Sobre ser mãe e ser Filha



Agora que a Filha é mãe, muitas de nossas conversas têm sido sobre filhos. O que não deixa de ser irônico, e às vezes cômico.
Com estas conversas tenho visto muito mais dela como filha do que antes. Suas atitudes como mãe muitas vezes deixam transparecer suas critica ao modo como foi criada. Quando fala dos cuidados com a Neta, o modo como quer educá-la, alimentá-la e vesti-la, denotam sua opinião de como ela mesma foi educada, alimentada e vestida.
Eu como mãe madura que sou hoje, de certa forma concordo com ela, e sofro um pouco pelo que já não posso mudar.
O que me aperta o coração é que vejo em suas falas que ela credita grande parte de suas dificuldades pessoais à mãe que fui. Nesse instante sofro do que eu chamo de “culpa ancestral” de todas as mães.
Então rezo, para que ela consiga me perdoar, da mesma forma que eu também tento. Uma vez que fui uma mãe com muito menos informações e muito mais insegura.
Queria que se pudesse retornar no tempo. Que me fosse dada uma nova oportunidade com a Filha, não para amá-la diferente. Mas para estancar o instante decisivo em que uma atitude minha tenha contribuído para qualquer sofrimento para ela.
E mesmo agora não sei o que fazer para ajudá-la.
Nesses instantes ressurge em mim a mãe jovem e insegura. Tenho vontade de abraçá-la e protegê-la da mãe que fui.
Espero apenas que o tempo e a maturidade possam atuar sobre ela da mesma forma como atuaram sobre mim. Que conhecendo suas fragilidades e de onde surgiram, perceba que ela pode sim mudar, que sempre será tempo.
Dessa forma me perdoará, entendendo que fui a mãe que consegui ser, não por não amá-la, mas por não sabê-la.



imagem roubada da internet

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Aprendendo



Fui uma mãe possessiva admito. Hoje entendo que para mim, um amor tão grande justificou sempre este sentimento de possuir minha filha. À Filha não restou senão lutar sempre contra essa possessão.
A Filha foi forte e resistente, firme acabou por me ensinar que antes de ser minha filha ela era dela mesma.
Das lutas com a Filha adolescente e depois com a Filha mulher nasceu uma mãe mais desapegada. Não foi um processo simples e volta e meia surge a necessidade de ainda possuir. Geralmente vem com uma nostalgia dos tempos de “mãe provedora”, de uma fase em que realmente eu era tudo para ela e ela não sabia existir sem mim, mas lá se vão 30 anos desse tempo.
Agora a vida me deu a oportunidade de me reinventar como mãe. Quero aplicar com a Neta a lição que aprendi. Sou avó, mas sei que este pequeno ser não é meu.
São meus alguns dos seus carinhos e seus sorrisos, por isso estou a valorizar tanto estes instantes, quando me sinto acalentada e pertencida.
A Filha olha com desconfiança minhas aproximações, sei que tenta proteger a cria desse amor danado que de tão grande transbordou e em muitas vezes a sufocou.



Amor de mãe deve abraçar, não apertar ou prender!