Ando por esses dias a pensar na
finitude de todos nós.
Desde que partiste muitos dos
queridos que estavam na foto de natal, também já se foram.
Foram se as tias, uma levou
consigo o segredo de muitas receitas e outra o segredo de como ter um olhar tão
doce, de ser tão delicada e tão forte ao mesmo tempo.
O tio também partiu, dizem os médicos
que de doença, mas todos sabem que foi saudades do doce olhar, daquela que foi
sua fortaleza e seu dengo de uma vida toda.
Partiram também amigos, tantos
que nem sei numerar agora. Foram se artistas e pessoas ditas ilustres, que por
sua história de vida talvez não morram nunca.
Mas porque penso nisso agora?
É que a Avó (não eu) da Neta
enfrenta sua batalha por não partir.
Mas a ela foi dada a chance de
dizer alguns adeuses. Não se irá num repente. Terá chance de dizer de seu amor
aos que ama, de perdoar e ser perdoada. E certamente valorizará estes momentos.
Mas a Neta tão pequena ainda não
sabe de nada dessa vida que passa tão rápido.
No futuro preciso lembrar-me de
falar a ela, destes que lhe sorrirão nos retratos, nos vídeos e em todos estes
novos modos de eternizar as pessoas.
Mas é claro que tudo isso me faz pensar
em minha própria finitude e me causa uma urgência por viver.
Quero muito viver esse futuro que
tanto me assusta, que por vezes me parece tão vazio sem a tua presença mas que
ainda assim esta repleto de sonhos por realizar.
Como
diz Belchior (que também já partiu) “ viver é melhor que sonhar”.

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