As festas de dezembro ficaram
para trás.
A entrada do ano foi na praia,
lugar lindo e como eram minhas férias, aproveitei os dias para me deliciar com
a presença alegre da Neta. Terias gostado. Foram muitos chamegos, muitas
brincadeiras a beira mar. Foram dias de lembrar para sempre.
O lugar era totalmente novo para
mim, então me afastei da melancolia que me toma quando a saudade chega. Tratei
de criar novas lembranças, pois como sempre digo por aqui, continuar é preciso.
Lá aprendi a gostar um pouco mais
da minha companhia, aprendi a me convidar para sair e dar risada sozinha e
voltar leve, cheia de coisas para contar.
A convivência com a Filha e sua
pequena família nem sempre foi tranquila, mas foi alegre e espero sempre poder
desfrutar de mais dias assim, com estes meus amores de agora.
Já o janeiro esta se indo, os
dias de trabalho intenso não têm deixado espaço para mais nada.
Assim percebo que o tempo, esse
rio que não para de correr, se escoa. E a rotina do passar dos dias me engole e
tenho comigo esta intrigante sensação de perda e urgência.
Perco o tempo de convivência com
a Neta.
Perco a vitalidade de uma
juventude que já não é mais minha.
Perco os afagos da presença dos
amigos, agora já tão poucos.
Perco a segura presença de minha
mãe, agora mais titubeante que nunca.
E tenho urgência por viver mais,
ter tempo para a vida, a Neta, os amigos, a mãe e ... talvez o amor novamente.
Sinto que já não posso mais
esperar, viver é urgente e preciso.
Ainda, que viver não seja preciso
como navegar...
“Navegar
é preciso, viver não é preciso”
Fernando Pessoa

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