- Vou pegar um café. Quer um?
Convida.
- Não obrigada! Já esta
tarde para isso.
Ela fala olhando o céu de
por do sol.
- Mas você costumava tomar
até antes de dormir.
- Foi há muito tempo. Agora
sofro das insônias.
....
- Quantos anos se passaram?
Ela indaga quebrando o
silêncio.
- Para mim uma eternidade.
- E quanto tempo é
necessário para que se passe uma eternidade?
- Não sei...
Ele reflete por um segundo.
- Para mim tudo é um eterno
presente... Diga-me você.
- Agora me pegaste. O eterno
não tem fim, meu tempo sim.
- Mas teu tempo não acabou!
- Não?... Então como estamos
aqui?
Ela olha novamente o céu
vermelho.
- Não sabes mesmo dos anos
que se passaram?
Ele acena com a cabeça, sem
saber responder.
- Foi o tempo de ver a
maturidade da filha. O tempo de ver nascer e crescer a neta. De tê-la nos
braços e agora ser amparada por ela.
- Muitos anos então?
Sorrindo ela ajeita o
vestido.
- Eu sabia que virias hoje,
por isso me arrumei.
- Continuas tão linda como
antes!
Num repente ele se levanta.
- Tenho de ir.
- Eu sei...
......
- Um café com a minha
vovozinha... tudo de bom!
Diz, sentando ao lado da
mulher que absorta olha o céu de fim de tarde.
- Vovó para quê são esses
olhos de segredo?
- Para te ver melhor minha
netinha...
Outubro/2020
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