E corre o tempo. 2021 escoa por
entre os dias.
O inverno chegou mais rigoroso
esse ano. Isso e a rotina de sobreviver aos dias pandêmicos me anestesia os
sentidos. Nem as desastradas aventuras
românticas têm me inspirado para a escrita.
A folha em branco diante de mim é
como um poço seco, sedimentado em eterno silêncio. Desenvolvi a fobia de
mergulhar nos meus mistérios. Sigo navegando rasa no mar de sentimentos imprecisos.
Por vezes, intento iniciar um
diálogo comigo mesma, acordar o que está adormecido. Teço conversas internas
superficiais e faço afagos no ego, banhados a vinho tinto e músicas dançantes.
Ando escondida de mim. E em mim
uma música fala:
“Caminho se conhece
andando
Então vez em quando é bom se perder
Perdido fica perguntando
Vai só procurando
E acha sem saber”
CHICO CESAR /
DOMINGUINHOS
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