terça-feira, 17 de agosto de 2021

De engano e ilusão

Me fala essa letra do Legião Urbana:

            “Todos os dias quando acordo
              Não tenho mais
              O tempo que passou
               Mas tenho muito tempo
             Temos todo o tempo do mundo”

O poeta brinca com o imponderável sentido do tempo.

Letra feita por jovens e para jovens que olham para o futuro como se ele fosse um eterno caminhar. A maturidade e a vida me dizem que o tempo é finito e meu futuro é agora. O amargo que sinto é que em não tendo o tempo que passou, também não tenho todo tempo do mundo. E aí o sentimento de urgência me assola.

Nessa pressa por alcançar algum futuro, me perco em melancólicos enganos. Enfileirados começos e recomeços, inicios e finais. Sem saber o que procurar qualquer achado me ilusiona os sentidos. São enredos tão iguais para a mesma protagonista, que vez ou outra penso que os personagens são os mesmos nessa novela sem fim. Historias repetidas que nada me oferecem, além do tempo perdido.

São curativos para feridas emocionais e remédios placebos para falsas recuperações, mas de analgésicas ilusões.                                             

E assim sigo nesse tempo estranho e ainda pandêmico.


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