Ando intentando de ser outra pessoa. Ser um pouco menos ansiosa é um desafio. Tratar o passar dos dias como apenas datas no calendário é uma das estratégias.
Ando vivendo como quem não
espera. Sei que é sensação transitória, pois ter esperança e fazer planos são
inerentes aos meus propósitos de vida, ainda que inconstante vivo numa gangorra
de sentimentos. Sinto-me numa encruzilhada novamente, e como já mencionei
várias vezes nesses anos todos por aqui, é tempo de novo recomeço.
Recomeço exige preparo, requer
vontade e fôlego. É ter nova perspectiva, novo olhar sobre os fatos. É preciso
eliminar esse esgotamento da luta perdida, causada pela desilusão de começos
que não se concretizaram.
Recomeço é bagagem, por vezes
pesada. É mirar o futuro olhando pelo retrovisor do passado o caminho
percorrido. É remendar e refazer. É ter coragem de admitir o fracasso dos
antigos começos. É casa vazia após a mudança, ocupada por desalento e
incerteza.
Recomeçar é preciso, para que
novos começos sejam possíveis. Começo é roupa do corpo. É andar sem documentos
por uma estrada nova, olhando com expectativa o futuro. É janela aberta para
uma nova paisagem. É frio na barriga carregado de confiança. É em fim continuar
fazendo a vida valer a pena.
Mario Quintana já disse: “ Nada jamais continua, tudo vai recomeçar”.
Recomeço é o fim do que foi começo, mas também é início de tudo de novo.
E nesse tempo ainda pandêmico,
sigo recomeçando, todos os dias, ainda que temporariamente, meio prostrada.
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