sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Aprendendo



Fui uma mãe possessiva admito. Hoje entendo que para mim, um amor tão grande justificou sempre este sentimento de possuir minha filha. À Filha não restou senão lutar sempre contra essa possessão.
A Filha foi forte e resistente, firme acabou por me ensinar que antes de ser minha filha ela era dela mesma.
Das lutas com a Filha adolescente e depois com a Filha mulher nasceu uma mãe mais desapegada. Não foi um processo simples e volta e meia surge a necessidade de ainda possuir. Geralmente vem com uma nostalgia dos tempos de “mãe provedora”, de uma fase em que realmente eu era tudo para ela e ela não sabia existir sem mim, mas lá se vão 30 anos desse tempo.
Agora a vida me deu a oportunidade de me reinventar como mãe. Quero aplicar com a Neta a lição que aprendi. Sou avó, mas sei que este pequeno ser não é meu.
São meus alguns dos seus carinhos e seus sorrisos, por isso estou a valorizar tanto estes instantes, quando me sinto acalentada e pertencida.
A Filha olha com desconfiança minhas aproximações, sei que tenta proteger a cria desse amor danado que de tão grande transbordou e em muitas vezes a sufocou.



Amor de mãe deve abraçar, não apertar ou prender!

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