Fui
uma mãe possessiva admito. Hoje entendo que para mim, um amor tão grande
justificou sempre este sentimento de possuir minha filha. À Filha não restou
senão lutar sempre contra essa possessão.
A
Filha foi forte e resistente, firme acabou por me ensinar que antes de ser
minha filha ela era dela mesma.
Das
lutas com a Filha adolescente e depois com a Filha mulher nasceu uma mãe mais
desapegada. Não foi um processo simples e volta e meia surge a necessidade de
ainda possuir. Geralmente vem com uma nostalgia dos tempos de “mãe provedora”,
de uma fase em que realmente eu era tudo para ela e ela não sabia existir sem
mim, mas lá se vão 30 anos desse tempo.
Agora
a vida me deu a oportunidade de me reinventar como mãe. Quero aplicar com a
Neta a lição que aprendi. Sou avó, mas sei que este pequeno ser não é meu.
São
meus alguns dos seus carinhos e seus sorrisos, por isso estou a valorizar tanto
estes instantes, quando me sinto acalentada e pertencida.
A
Filha olha com desconfiança minhas aproximações, sei que tenta proteger a cria
desse amor danado que de tão grande transbordou e em muitas vezes a sufocou.
Amor de mãe deve abraçar,
não apertar ou prender!

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