segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Sobre ser mãe e ser Filha



Agora que a Filha é mãe, muitas de nossas conversas têm sido sobre filhos. O que não deixa de ser irônico, e às vezes cômico.
Com estas conversas tenho visto muito mais dela como filha do que antes. Suas atitudes como mãe muitas vezes deixam transparecer suas critica ao modo como foi criada. Quando fala dos cuidados com a Neta, o modo como quer educá-la, alimentá-la e vesti-la, denotam sua opinião de como ela mesma foi educada, alimentada e vestida.
Eu como mãe madura que sou hoje, de certa forma concordo com ela, e sofro um pouco pelo que já não posso mudar.
O que me aperta o coração é que vejo em suas falas que ela credita grande parte de suas dificuldades pessoais à mãe que fui. Nesse instante sofro do que eu chamo de “culpa ancestral” de todas as mães.
Então rezo, para que ela consiga me perdoar, da mesma forma que eu também tento. Uma vez que fui uma mãe com muito menos informações e muito mais insegura.
Queria que se pudesse retornar no tempo. Que me fosse dada uma nova oportunidade com a Filha, não para amá-la diferente. Mas para estancar o instante decisivo em que uma atitude minha tenha contribuído para qualquer sofrimento para ela.
E mesmo agora não sei o que fazer para ajudá-la.
Nesses instantes ressurge em mim a mãe jovem e insegura. Tenho vontade de abraçá-la e protegê-la da mãe que fui.
Espero apenas que o tempo e a maturidade possam atuar sobre ela da mesma forma como atuaram sobre mim. Que conhecendo suas fragilidades e de onde surgiram, perceba que ela pode sim mudar, que sempre será tempo.
Dessa forma me perdoará, entendendo que fui a mãe que consegui ser, não por não amá-la, mas por não sabê-la.



imagem roubada da internet

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