segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Espiando o passado



Tento às vezes rever o passado. Ou ao menos dar uma espiada.
Foi o que me aconteceu no final de semana, voltei à antiga rua.
Da casa em que morávamos nada resta, busquei pela memória, para sentir o cheiro da cera no assoalho de tábuas grandes. Ver a sombra da casa se projetando na grama em frente aos degraus da porta da cozinha.
Já a casa dos tios ao lado, esta lá ainda. Com a mesma cor nas paredes, as janelas também são as mesmas, o mesmo corredor em que a Filha tropeçou seus primeiros passos. Mas é só. Já não tem mais a áurea alegre, que a algazarra das primas produzia.  Eu a vi tão sombria e triste.
Maior tristeza eu tive pela casa que ainda existe, mas não é mais, do que pela que por não mais existir permanecerá viva na memória.
Fui também buscando as pessoas de antes.
Fui atrás das conversas alegres, do burburinho de todos falando ao mesmo tempo. 
Fui atrás da melhor Amiga, daquilo que nos uniu um dia. Mas ela também agora é sombra do que já foi e nossa amizade foi esfriada pela distância e pelo tempo. Perdemos ambas, a intimidade que nos ligava, não conseguimos passar de uma conversa superficial, entremeada de longos silêncios. Fiquei pensando, onde e quando foi que se perderam as duas meninas que fomos um dia?

Vou percebendo que por mais que queiramos, o passado não volta. Melhor deixá-lo no lugar dele... entre fotos antigas... e vez em quando alimentando as nossas saudades...

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