Tento
às vezes rever o passado. Ou ao menos dar uma espiada.
Foi
o que me aconteceu no final de semana, voltei à antiga rua.
Da
casa em que morávamos nada resta, busquei pela memória, para sentir o cheiro da
cera no assoalho de tábuas grandes. Ver a sombra da casa se projetando na grama
em frente aos degraus da porta da cozinha.
Já
a casa dos tios ao lado, esta lá ainda. Com a mesma cor nas paredes, as janelas
também são as mesmas, o mesmo corredor em que a Filha tropeçou seus primeiros
passos. Mas é só. Já não tem mais a áurea alegre, que a algazarra das primas
produzia. Eu a vi tão sombria e triste.
Maior
tristeza eu tive pela casa que ainda existe, mas não é mais, do que pela que por
não mais existir permanecerá viva na memória.
Fui
também buscando as pessoas de antes.
Fui
atrás das conversas alegres, do burburinho de todos falando ao mesmo tempo.
Fui
atrás da melhor Amiga, daquilo que nos uniu um dia. Mas ela também agora é
sombra do que já foi e nossa amizade foi esfriada pela distância e pelo tempo. Perdemos
ambas, a intimidade que nos ligava, não conseguimos passar de uma conversa
superficial, entremeada de longos silêncios. Fiquei pensando, onde e quando foi
que se perderam as duas meninas que fomos um dia?
Vou
percebendo que por mais que queiramos, o passado não volta. Melhor deixá-lo no
lugar dele... entre fotos antigas... e vez em quando alimentando as nossas
saudades...
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