Observei o eclipse solar de 2019,
pelo canto da janela de minha sala de escritório.
O sol do Rio Grande já estava se
pondo. No céu algumas nuvens não impediram a lua de ofuscar uma parte do sol. Por
alguns minutos pude ver através de uma lente escura o quase encontro dessas
duas forças da natureza.
Daqui deste ponto do mundo pude
ver a lua como uma pequena mordida em um sol já alaranjado pela tarde de
inverno.
Segundo os pesquisadores teremos
o mesmo fenômeno daqui a 50 anos. E é essa a reflexão de hoje.
Esse já não será mais meu tempo. Será
o tempo da Neta e ainda da filha. Quem serão estas mulheres?
Por quais dores terão passado?
Quais conquistas terão comemorado? Quais amores terão amado?
A Neta será ainda uma mulher
cheia de força para lutar suas lutas. Penso que trará no expressivo rosto a mesma luz curiosa e inteligente que vejo agora, certamente achará encantamento no
eclipse.
Já a filha, vestida de senhora,
trará na beleza de seus olhos azuis a alegria e vivacidade de criança, contando
aos netos e aos filhos destes, porque perdeu o eclipse de 19. Dirá que nesse momento do irreal encontro dos
astros, acalentava sua cria, tentando minimizar suas dores na sala de espera do
médico.
Tentará com isso dizer aos seus
amores, que são nos momentos comuns da vida que coisas extraordinárias ocorrem.
E penso... Estarei de alguma forma impressa em suas memórias?
Sorrirão ao lembrar-me? Que dirão de mim a estes que não me conheceram?
Essas são as coisas que sinto nesse
tempo que ainda é meu e me fazem pensar nos tempos que virão.
Imagem da internet

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