quarta-feira, 3 de julho de 2019

Do eclipse


Observei o eclipse solar de 2019, pelo canto da janela de minha sala de escritório.
O sol do Rio Grande já estava se pondo. No céu algumas nuvens não impediram a lua de ofuscar uma parte do sol. Por alguns minutos pude ver através de uma lente escura o quase encontro dessas duas forças da natureza.
Daqui deste ponto do mundo pude ver a lua como uma pequena mordida em um sol já alaranjado pela tarde de inverno.
Segundo os pesquisadores teremos o mesmo fenômeno daqui a 50 anos. E é essa a reflexão de hoje.
Esse já não será mais meu tempo. Será o tempo da Neta e ainda da filha. Quem serão estas mulheres?
Por quais dores terão passado? Quais conquistas terão comemorado? Quais amores terão amado?
A Neta será ainda uma mulher cheia de força para lutar suas lutas. Penso que trará no expressivo rosto a mesma luz curiosa e inteligente que vejo agora, certamente achará encantamento no eclipse.
Já a filha, vestida de senhora, trará na beleza de seus olhos azuis a alegria e vivacidade de criança, contando aos netos e aos filhos destes, porque perdeu o eclipse de 19.  Dirá que nesse momento do irreal encontro dos astros, acalentava sua cria, tentando minimizar suas dores na sala de espera do médico.
Tentará com isso dizer aos seus amores, que são nos momentos comuns da vida que coisas extraordinárias ocorrem.
E penso...  Estarei de alguma forma impressa em suas memórias? Sorrirão ao lembrar-me? Que dirão de mim a estes que não me conheceram?
Essas são as coisas que sinto nesse tempo que ainda é meu e me fazem pensar nos tempos que virão. 

Imagem da internet

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