quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Da maturidade e do amor

Resisto em dar nome ao que ando sentindo.
Não tenho como identificar o desassossego que me assola nos últimos dias.
Ando quieta, tentando aparentar normalidade.
Mas atropelou-me esse sentimento ainda indefinido. Que me tira a paz da mesma forma me faz sentir  intensamente viva como a muito não era.
Segundo Artur da Távola, o amor maduro não é menos intenso, apenas mais silencioso. Não carece de demonstrações e se baseia na verdade do sentimento. Não exige presença e aumenta com a ausência.
Não sei se concordo com o autor, mas ao que vejo o amor maduro sofre de complexidade extrema e não estou sabendo lidar com isso.
Ao que me causa desconforto agora, eu ainda não sei se posso chamar amor. Mas sei que é infinitamente melhor do quê o nada de antes.
E como pressentindo isso a meses, fiz os versos premonitórios sobre o amor maduro e suas inconstâncias.   


Ah! Mulher que pensas ter maturidade.
O amor é para ti ainda um jogo silente,
Recua com dignidade.
Protege-te deste terremoto estridente.
Ainda precisas aprender
que não há lugar para o embaraço.
É na dança sem delicadeza dos corpos
que reside a ternura da mulher exultante.

Ah! Menina insegura e tola.
Não te punas no choro,
pois não há culpa no ignorado.
Foge para longe da tua mocidade,
da segurança do amor juvenil idealizado.
Aprende enfim que as dores e perdas,
é que dão tempero ao amor maduro
Que mesmo quando conquistado,
nem sempre é seguro. 

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