A Sogra renascida de uma vida
triste e sem brilho, sufocada pelo coração doente que um dia escolheu para amar,
agora respira tranquilidade e sabedoria. Olha o tempo perdido em viver uma vida
de medo e maus tratos, sem arrependimentos. O destino lhe reservou o final da
vida para finalmente ser ela mesma.
O paradoxo está em transformar um
fato trágico nos motivos da superação. O Sogro partiu, atormentado como viveu.
Foi sem deixar quem sentisse sua ausência. E ela que já chorou a perda do filho
por anos, encontra agora motivos para sorrir, fazer planos, ter novos propósitos
e resinificar sonhos.
Muitos desafios surgirão, mas ela
se sente preparada para dançar essa música nova, ainda que a idade lhe diga que
não há mais tempo para novos bailes. O corpo franzino, os cabelos orvalhados de
branco e os olhos cada vez mais azuis reverberam esperanças juvenis de alegres
passeios e brincadeiras infantis com sua bisneta. Como que vivendo em um surto eufórico
se agita em reformas e projetos.
Nesse tempo que agora é dela, oro
não por tempo de vida, mas por qualidade. Que ao lhe alcançar o último suspiro,
encontre em seu rosto um sorriso. Cheio de perdão por si mesma e pelos que a
rodeiam. Que a paz seja sua companheira, para que os anos que estão por vir sejam
de eterna primavera.
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