sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Novo ciclo

 

A Sogra renascida de uma vida triste e sem brilho, sufocada pelo coração doente que um dia escolheu para amar, agora respira tranquilidade e sabedoria. Olha o tempo perdido em viver uma vida de medo e maus tratos, sem arrependimentos. O destino lhe reservou o final da vida para finalmente ser ela mesma.

O paradoxo está em transformar um fato trágico nos motivos da superação. O Sogro partiu, atormentado como viveu. Foi sem deixar quem sentisse sua ausência. E ela que já chorou a perda do filho por anos, encontra agora motivos para sorrir, fazer planos, ter novos propósitos e resinificar sonhos.

Muitos desafios surgirão, mas ela se sente preparada para dançar essa música nova, ainda que a idade lhe diga que não há mais tempo para novos bailes. O corpo franzino, os cabelos orvalhados de branco e os olhos cada vez mais azuis reverberam esperanças juvenis de alegres passeios e brincadeiras infantis com sua bisneta. Como que vivendo em um surto eufórico se agita em reformas e projetos.

Nesse tempo que agora é dela, oro não por tempo de vida, mas por qualidade. Que ao lhe alcançar o último suspiro, encontre em seu rosto um sorriso. Cheio de perdão por si mesma e pelos que a rodeiam. Que a paz seja sua companheira, para que os anos que estão por vir sejam de eterna primavera.

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