quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Dos descompassos do coração


Ando intentando de ser forte. Por mim...  pela filha ... pela neta
O cardiologista com a frieza de um robô ratificou a sentença que trago desde o berço.
Um coração que insiste em trabalhar em descompasso e que me desafia o viver.
Já foi metade de coração, já foi coração parado, já foi coração partido...
Na infância, quando a grande maioria das crianças se quer sabem da existência de tal órgão, fui apresentada ao seu bater desconexo.
Lembro o Pai a falar que desde meu nascimento escutava a falha na marcação do compasso. Quase ele via o coração parando.
São tantas as histórias sobre os tratamentos. 
Lembranças borradas de hospitais de corredores escuros.
Idas à clinica misteriosa, de tratamento nada convencional, marcado pela lembrança do cabelo branco do médico, que eu as vezes alinhava com um pequeno pente, que ele tirava do bolso.
E mesmo com tantas restrições que eu não seguia e tirando as duas paradas em decorrência de um trabalho de parto extenuante, eu sobrevivi.
Mas hoje depois da consulta, percebo que se aproxima o tempo de enfrentar este descompassado coração, talvez seja esta a luta que me espera.

Então hoje é só mais um dia ruim...

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