Como um personagem de Gabriel
Garcia Marques, ando reformando a casa obsessivamente.
Pouco ou quase nada resta da antiga
morada. Eliminei muitos moveis, destruí papeis, me desfiz de objetos. Comprei
coisas novas, pintei as paredes de outras cores.
Dessa forma dei em organizar e limpar todos os cantos da casa. Trato de criar um novo lugar para chamar de lar novamente.
Nesse tempo que é só meu, de
solidão produtiva, as ausências já não causam desconforto.
Com sofreguidão ando a remexer
gavetas de lembranças.
Mas estas se tornaram minhas
amigas, não mais me machucam. Ao contrário, a cada foto ou cartão que encontro,
sou tomada de uma tal alegria e contentamento pelas histórias de outros tempos
que eu mesma me estranho.
E então faço colagens dos
recortes da memória, tentando sintetizar o que tanto eu vivi com as silenciosas
imagens.

Muito bom!!!
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