segunda-feira, 8 de abril de 2019

Tempo de reconstruir


Como um personagem de Gabriel Garcia Marques, ando reformando a casa obsessivamente.
Pouco ou quase nada resta da antiga morada. Eliminei muitos moveis, destruí papeis, me desfiz de objetos. Comprei coisas novas, pintei as paredes de outras cores.
Dessa forma dei em organizar e limpar todos os cantos da casa. Trato de criar um novo lugar para chamar de lar novamente.
Nesse tempo que é só meu, de solidão produtiva, as ausências já não causam desconforto.
Com sofreguidão ando a remexer gavetas de lembranças.
Mas estas se tornaram minhas amigas, não mais me machucam. Ao contrário, a cada foto ou cartão que encontro, sou tomada de uma tal alegria e contentamento pelas histórias de outros tempos que eu mesma me estranho.

E então faço colagens dos recortes da memória, tentando sintetizar o que tanto eu vivi com as silenciosas imagens.
 

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