Em
algum momento aconteceu a mudança.
Depois
de anos convivendo com o sentimento de ausência, sou tomada de um vazio. Esperava
que um amor devesse chegar para substituir o que partiu, mas não, ele se foi
sem aviso, sutil e silenciosamente, deixando o oco no peito.
Amo
ainda.
Amo
o encontro e a viagem que fizemos juntos.
Amo o que restou nos traços da Filha, a família e as lembranças. Amo o
que fui e o que fomos juntos. Amo aqueles dias de incondicional cumplicidade. Amo
até as dificuldades que por vezes corroíam os anos de matrimônio.
Então...
como num acordar de uma manhã de sábado, em que a calma da rua nos faz perceber
o pássaro que canta no telhado, escutei o silêncio em meu peito.
Para
onde foi o amor urgente? O desejo do toque? A busca pela presença concreta nas
coisas? O cheiro que vez ou outra me enlaçava no abraço da solidão?
O
amor de antes transcendeu as dores e a vida cotidiana de agora.
É
nesse silêncio sem canto de pássaro que me encontro... sem nada.
Ficou
o vazio que me leva por buscas equivocadas e inúteis.
Então
nesse tempo que é só meu, me pego tendo esperança de novamente sentir as
urgências do amor, esperando que esse vazio esmagador me deixe e que algo possa
acontecer para novamente poder compartilhar a vida com alguém.
Ainda
que eu saiba que o derradeiro pensamento será do amor transcendente e ele
estará cheio de ternura e saudades.
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