Existe uma pressão que nos leva a
buscar a eterna juventude.
Este fato atinge mais firmemente às
mulheres da minha geração.
Sentem-se jovens e negam o quanto
podem o passar dos anos.
São horas infinitas gastas nos
procedimentos, tratamentos e sessões em clinicas de estética.
Padronizam seus rostos sem
marcas, seus lábios de sorrisos sem naturalidade e suas sobrancelhas milimetricamente
desenhadas.
Morreremos todas de peles alvas e
lisas, de peeling e bisturi.
Nas conversas com as amigas este é
tema recorrente.
E eu que tenho em mim estes pensamentos de que sou outra
pessoa renascida, fico a pensar.
O corpo que me molda não representa
o espírito que me preenche.
Mas ainda assim reluto, tenho
medo de perder minha identidade.
Então Marina Colasanti me
representa tanto em seus versos, que mais não posso dizer:
ROTA DE COLISÃO
De quem é esta pele
que cobre a minha mão
como uma luva?
Que vento é este
que sopra sem soprar
encrespando a sensível superfície?
Por fora a alheia casca
dentro a polpa
e a distância entre as duas
que me atropela.
Pensei entrar na velhice
por inteiro
como um barco
ou um cavalo.
Mas me surpreendo
jovem velha e madura
ao mesmo tempo.
E ainda aprendo a viver
enquanto avanço
na rota em cujo fim
a vida
colide com a morte.
que cobre a minha mão
como uma luva?
Que vento é este
que sopra sem soprar
encrespando a sensível superfície?
Por fora a alheia casca
dentro a polpa
e a distância entre as duas
que me atropela.
Pensei entrar na velhice
por inteiro
como um barco
ou um cavalo.
Mas me surpreendo
jovem velha e madura
ao mesmo tempo.
E ainda aprendo a viver
enquanto avanço
na rota em cujo fim
a vida
colide com a morte.
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