segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Da outra avó


E a outra avó morreu.
Ela não partiu num de repente. 
Ela se foi aos poucos, como uma vela consumida pela chama da doença.
Não sei se usou os seus últimos dias para se despedir dos seus.
Talvez pressentindo que o final se aproximava foi silenciando.
A alegria e a vaidade de que sempre se revestia foi deixando de lado.
E da pequena mulher de personalidade forte, ficou o ensinamento que devemos nos amar sempre primeiro, para depois amar aos que nos rodeiam. Esse sempre é amor de melhor qualidade e intensidade, pois é amor que transborda cheio de autoestima.
Como não sei entender os mistérios do sofrimento, vejo que a cada perda vou ficando mais forte.
Quero estar aqui o mais que puder, para falar para a Neta destes que lhe sorriem nos porta retratos.
De toda forma sigo minha viagem agora mais determinada que ela seja longa, saudável e alegre.
E sei será preciso levar comigo essas bagagens cheias de ausências e saudades.

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